A Pele Que Habito

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Louco, insano, aterrorizante e espetacular são apenas alguns dos adjetivos que podemos usar no novo filme do diretor Pedro Almodóvar, A Pele que Habito, pois o diretor conseguiu mais uma vez de forma silenciosa criar um terror em cima de uma mulher, aliás, a especialidade do diretor é transformar a vida de mulheres em um inferno.

Muito do que o diretor conseguiu construir neste filme aconteceu pela coragem com que ele teve de abordar temas polêmicos, temas que vão da loucura ao sexo, do amor a traição, do possível ao improvável, mas sem nunca perder o equilíbrio na forma narrativa do filme, sem abusar do terror, sem querer impressionar o espectador com cenas chocantes, mas apenas provocar o terror com as imagens, o diálogo e com um roteiro forte e impactante.

Aliás o roteiro, que beira o absurdo de tão magnífico, usa a velha história do médico louco que é capaz de tudo para realizar os seus sonhos e seus desejos, porém é este pano de fundo que Almodóvar usa para tocar nestes temas polêmicos e que dão ao título do filme diversos significados, dos mais simples aos mais polêmicos. É impossível assistir ao filme e não ter diversas opiniões se formando na cabeça.

E o filme ainda tem um elenco completamente focado no roteiro e dominado por seu diretor, que usa e abusa de closes, do silêncio e deixar sempre alguma coisa para a próxima cena. Apesar de eu ter dito no início deste post que o diretor mais uma vez traz um terror em cima de uma mulher, vemos que ele não poupa em nenhum momento o médico vivido por Antonio Banderas, trazendo para a vida do médico momentos de aflição, solidão e tristeza. E isto só acontece porque Almodóvar conseguiu um Antonio Banderas, absoluto, perfeito e fascinante.

E o que falar da beleza dominante da espanhola Elena Anaya e de como o diretor usa e abusa dos closes em seu rosto perfeito, com a tal pele perfeita que o médico tanto busca. O diretor mais uma vez tira de uma bela atriz atuação marcante, pois ao abusar da beleza da atriz Almodóvar consegue tirar de seus olhos a agonia, o desejo de vingança e a insegurança. Admito que não conhecia a atriz, apesar de estar em alguns filmes que vi, mas desta vez com um diretor confiante de si, corajoso e sem medo de errar, a atriz consegue uma atuação marcante e impressionante.

A nota 4.5 que dou abaixo, após todos os elogios que falei acima, é por causa de achar que Pedro Almodóvar revela os segredos do filme de uma maneira muito rápida, e ele poderia ter aproveitado um pouco mais e provocar um impacto ainda maior, não que isso atrapalhe o resultado final, mas tornaria o filme ainda mais aterrorizante e insano.

Até,
André C.

A Pele Que Habito (La piel que habito) – 2011)
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar e Agustín Almodóvar baseados em romance de Thierry Jonquet.
Elenco: Antonio Banderas (Robert Ledgard ), Elena Anaya (Vera Cruz ), Marisa Paredes (Marilia ), Jan Cornet (Vicente ) e Roberto Álamo (Zeca).

Nota Filme: 4.5

One thought on “A Pele Que Habito

  1. […] sensível, honesto e principalmente nos deixa uma lição de vida bonita sobre amizade… 7.  A Pele Que Habito – Louco, insano, aterrorizante e espetacular… 8.  A Árvore da Vida – … um delírio […]

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