Precisamos Falar Sobre Kevin

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Antes de falar sobre este excelente filme, que é um tapa na cara de quem o assiste de tanta força dramática, suspense e agonia, tenho que dar uma dica a quem não viu o filme e nem leu o livro do qual Precisamos Falar Sobre Kevin se baseia, se você quer ver o filme não leia a sinopse logo mais abaixo deste post e também tente fugir da sinopse ao fundo do DVD ou em sites especializados em cinema.

Não que isso estrague o resultado final desta magnífica obra da diretora Lynne Ramsay, pois eu tinha uma pequena ideia do que estava por trás de tamanho drama e sofrimento por qual a personagem de Tilda Swinton passava, mas mesmo assim o filme provocou uma sensação de tristeza, desconforto e agonia, tudo misturado durante o filme e, principalmente, em seu desfecho.

A diretora Lynne Ramsay foi extremamente corajosa ao montar o filme sem seguir uma linearidade, isso atrapalha o começo do filme, uma vez que os flashbacks vão e vem sem deixar muito claro o que acontece ou onde estamos, e isso pode afastar o público da tela, tirar a atenção que o filme já merece desde o início. Além disso em alguns momentos usa um close profundo, imagem tremidas, uma trilha sonora extremamente triste  e uma fotografia em que o vermelho sempre se destaca, mas é ali que a diretora já começa a mostrar que o filme realmente é perturbador ao seu final, que o filme levanta questões fortes, precisas e que realmente nos sufocam.

E todo o empenho da diretora é recompensado por uma atriz que está simplesmente primorosa durante todo o filme, pois toda agonia, dor e até felicidade que a diretora tenta mostrar nas diferentes passagens do difícil relacionamento entre uma mãe e um filho, só é possível com a presença de Tilda Swinton. A academia foi injusta com a atriz inglesa, pois sua atuação é forte, marcante e penetrante. Ela simplesmente dá um show de interpretação, pois o filme e o roteiro abusam dela, uma vez que ela vai da depressão à um sorriso simples, do medo à confiança, da tristeza à alegria e do desespero à paz com extrema facilidade. O papel exigiu da atriz uma atuação que seria fácil cair no exagero, nas caras e bocas, mas ela o faz com maestria impressionante. Magnífica.

Sobre o elenco vale ressaltar a também boa presença do jovem Ezra Miller, que também tem um papel que poderia ir para o exagero, mas o fez de uma forma simples, centrada e contida. Criando um Kevin enigmático, forte e extremamente silencioso, com um olhar perturbado e dominante. Um adolescente manipulador e falso.

E com os dois atores principais em boa disposição a diretora pode tocar facilmente em feridas abertas em um relacionamento entre filhos e pais, apesar da personagem de Tilda Swinton absorver toda a culpa, pelo passado dela com o filho a diretora não o faz isso de uma maneira geral, ao mostrar o duro e massacrante relacionamento dela com Kevin a diretora e o roteiro não esquecem da influência do pai, da diferença de amor com a irmã mais nova e principalmente faz do título uma coisa marcante no filme, pois o casal, as pessoas envolvidas, realmente evitam falar sobre Kevin.

Porém mesmo assim o roteiro, ao final, ao mostrar os acontecimentos finas do relacionamento de Kevin com sua mãe ainda deixa no ar a questão de que como seria se sua mãe o amasse desde sempre, se o pai percebesse no filho a arrogância e se todos realmente falassem sobre Kevin, como seria o fim do relacionamento, realmente teria sido diferente? A diretora Lynne Ramsay (que assina o roteiro ao lado de Rory Kinnear) conseguem ao trazer a tela um filme forte, deixar no ar a pergunta de quem foi a culpa? É certo uma sociedade banir uma mãe por um ato que ela pode ou não ser responsável? Os pais realmente são aqueles que moldam seus filhos para sociedade? O caráter de uma pessoa é criado por falta ou excesso de amor? É justo acharmos um único culpado?

Precisamos Falar Sobre Kevin é um filme forte, intrigante, que mistura drama, suspense e que é extremamente realista. Um filme que não é fácil esquecer e muito menos deixar de lado.

Até,
André C.

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin – 2011)
Sinopse: Eva é mãe de Kevin, adolescente que cometeu assassinato em massa em sua escola. Sem conseguir entender as ações do filho, ela tenta lidar com sua dor e o sentimento de culpa, por se sentir responsável pelo fato. Adaptação do best-seller homônimo de Lionel Shriver.
Direção: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynne Ramsay e Rory Kinnear baseados no livro de Lionel Shriver
Elenco: Tilda Swinton (Eva Khatchadourian), John C. Reilly (Franklin), Ezra Miller (Kevin), Jasper Newell (Kevin, 6-8 Anos), Ashley Gerasimovich (Celia), Siobhan Fallon (Wanda), Alex Manette (Colin) e Kenneth Franklin(Soweto).

Nota Filme: 4.5

3 thoughts on “Precisamos Falar Sobre Kevin

  1. […] dos destaques deste mês de Maio foi o filme Precisamos Falar Sobre Kevin, um filme que é duro, forte e extremamente realista, mas que tem como seu grande destaque uma […]

  2. Precisamos Falar Sobre Kevin é um filme forte, intrigante. Um filme que não é fácil esquecer e muito menos deixar de lado.

  3. […] atuação mais impressionante que vi este ano foi da inglesa Tilda Swinton no polêmico Precisamos Falar de Kevin, a atriz encarnou a dor de uma mãe de uma forma tão espetacular que chegava a ser dolorido para […]

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