Toda Forma de Amor

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Toda Forma de Amor foi um injustiçado aqui no Brasil, o filme do diretor Mike Mills foi direto para as prateleiras das locadoras, mas o sucesso do filme nas premiações pode até trazer o filme para algumas salas de cinema do Brasil (em Curitiba acho quase impossível), mas talvez seja um pouco tarde, uma vez que logo o filme já chega na televisão.

No filme o diretor Mike Mills tenta divagar sobre o que o amor, sobre quando sentimos o amor, os medos que o amor traz, o medo de se entregar a um novo amor, o medo da desilusão amorosa, a insegurança, a vida a dois, quando a curtição passa a virar relacionamento, quando relacionamento passa a virar casamento e, como diz o título, todas as formas de se amar. E para isso ele segue a vida de Oliver (Ewan McGregor em ótima atuação) que viveu num lar onde o pai e a mãe viveram um romance distante, onde o pai (o espetacular Christopher Plummer) assumiu a homossexualidade aos 75 anos, para isso o filme usa flashbacks que compraram a vida de Oliver na infância, durante a descoberta do pai e dos dias atuais onde ele tenta acreditar no amor com Anna (a bela e talentosa Mélanie Laurent).

O filme, um pouco lento e sem arriscar muito, traz ótimos momentos do trio principal, principalmente Ewan McGregor e Christopher Plummer, e não é a toa que o filme recebeu Gotham Awards de melhor elenco, pois são os 3 que realmente fazem de um filme de uma premissa simples e de uma certa lentidão um filme imperdível.

E por falar no elenco, é impossível falar do filme sem citar o grande Christopher Plummer, que vem colecionando prêmios com seu personagem, um senhor que amou sua mulher e por causa deste amor nunca saiu do armário. Plummer cria um personagem carismático e que emociona em vários momentos, uma atuação que faz deste grande ator o favorito ao Oscar de melhor ator coadjuvante. POr mais que algumas cenas possam chocar, na forma como o ator se entrega a homossexualidade, o ator apresenta momentos marcantes, de uma carreira que vem se redescobrindo a cada novo filme. É bom lembrar que  Christopher Plummer está na versão americana de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres.

Mas voltando ao filme, Christopher Plummer não está sozinho, Ewan McGregor surpreende em uma excelente e sincera aturação de um homem de quase 40 ano que não acredita no amor pelas desilusões do passado, mas que vê em seu pai a esperança de amar novamente a bela francesa Anna, a sempre excelente Mélanie Laurent, que faz a versão feminina de McGregor, uma mulher que tem medo de criar raízes, mas que ainda tenta amar.

O filme do diretor Mike Mills pode incomodar um pouco o público com uma certa lentidão, com a voz tranquila de Ewan McGregor ao narrar e até com as indas e vindas para o passado, mas é uma ótima obra sobre o amor e as formas que ele pode aparecer, até mesmo o amor do cachorro pelo seu dono está presente, aliás, o cachorro Cosmo é de fundamental importância ao filme.

Repito que é uma pena que filmes como estes não tenham a chance de chegar ao público na telona, podem não ser um Blockbuster e nem ter nomes que atraiam o público mais jovem, porém são obras que mereciam mais respeito das distribuidoras no Brasil.

Até,
André C.

Toda Forma de Amor (Beginners) – 2010)
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor (Oliver Fields), Christopher Plummer (Hal Fields), Mélanie Laurent (Anna), Goran Visnjic (Andy) e Cosmo (Arthur)

Nota Filme: 4.0

2 thoughts on “Toda Forma de Amor

  1. Oge Marques

    Curiosamente assisti este filme algumas horas antes de você postar sua ótima resenha, com a qual concordo 100%, especialmente quando comenta sobre as atuações marcantes dos 3 atores principais e o papel fundamental do simpático cão de estimação.

    Se tivesse que dar nota, daria 7/10 (como fiz no IMDB) — 3.5 pipocas? — devido à maneira lenta e pouco arriscada (pontos que aliás você comentou) do diretor, o que fizeram com que eu não me interessasse o suficiente pelos personagens para sofrer/torcer por eles.

    1. Andre C.

      Oge,
      acho que seria perto das 3.5 pipocas mesmo, mas eu acabei dando nota 4.0 pelos atores, que seguraram o filme mesmo com esta falta de coragem do diretor. Com atores medianos ou mais fracos o filme seria totalmente comum, e sem dizer que Ewan McGregor teve uma das suas melhores atuações no cinema.

      Abraços!
      André

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