Agnus Dei (2016)

Agnus Dei é um filme sóbrio, sem utilizar dos mais diversos recursos para impactar, fazer chorar ou criar situações controvérsias. Agnus Dei é um filme que segue um roteiro enxuto, preciso e que traz na sua fotografia cinza e fria seu único recurso para trazer ao filme o ar que ele precisa, pois do resto a história real aqui representada já o faz.

O roteiro, como citei, não tem momentos mirabolantes, ele é realmente focado naquilo que quer contar, ou seja, alguns dos casos das enfermeiras que foram estupradas por soldados alemães e russos na Polônia em 1945, na época logo após o fim da Guerra. O tema estupro é forte e quando vem recheado com um ar religioso se torna ainda ainda mais penoso, pois o que vemos são freiras violentadas no seu corpo e na sua fé, além de temerem tudo aquilo que sempre acreditaram.

A diretora Anne Fontaine é precisa e simples na forma como dirige o filme, ela é uma observadora distante da história e deixa, em um ritmo lento, o filme fluir naturalmente e deixa para as atrizes o maior peso da obra, principalmente para a médica Mathilde Beaulieu vivida por Lou de Laage e para a a irmã Maria vivida por Agata Buzek, uma vez que é na relação das duas que o filme mostra que tem algo a mais a discutir do que os violentos estupros sofridos, pois apesar de se ajudarem e trabalhem juntas para o bem estar das freiras, as duas vivem em mundos diferentes, paralelos e a diretora não toma nenhum dos lados.

Pois é a partir dai que o filme toca em outros temos polêmicos, pois vemos mesmo que de forma discreta um embate entre a fé cristã da irmã (e das demais freiras) com a vida ateia que leva a médica, que tem fé na medicina e não entende tudo que passa a sua volta dentro do convento. Neste momento o filme ganha um terceiro elemento que enobrece a obra como um todo, pois vemos a fé ou a forma radical como ela pode ser conduzida na pele da Madre do Convento (Agata Kulesza), ou seja, o filme toca (talvez alguns achem que de forma superficial) três temas polêmicos o estupro e a violência contra mulher, a radicalização da fé e a falta de fé dentro de um núcleo de mulheres tão complexas quanto o assunto.

Falta, é verdade, um pouco mais de dinâmica ao filme e um pouco mais de coragem em alguns momentos ou na hora de tocar mais na vida de algumas freiras, mas nada disto tira o brilho desta obra que tem uma importância de contar um pouco a história destas freiras que sofreram não apenas com a violação do seu corpo, mas com os conflitos da sua fé, com o medo do pecado na disputa do que era certo e o que era errado.

Destaco a atuação das duas atrizes principais do filme Lou de Laage e Agata Buzek.

Nota Filme 3.0

 

 

Agnus Dei (Les Innocentes – 2016)
Direção: Anne Fontaine
Roteiro: Sabrina B. Karine, Alice Vial, Anne Fontaine e Pascal Bonitzer baseados no conceito original de Philippe Maynial.
Elenco: Agata Kulesza, Lou de Laage, Agata Buzek e Vincent Macaigne.

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