Um Método Perigoso

Um Método Perigoso

Um Método Perigoso é um daqueles filmes complicados de recomendar para os outros, pois trata-se de um filme com grande peso mental e que mesmo sem grandes cenas, sem grandes reviravoltas no roteiro ele te prende a atenção, mas seus diálogos longos e complexo tornam o filme um pouco cansativo, elevando o peso da produção e cansando mentalmente. Um Método Perigoso é um filme que mexe com quem assiste por trazer para tela algo que não estamos acostumados, um triângulo mental.

David Cronenberg cria mais uma vez um bom drama, mas desta vez ele foca as palavras e nos diálogos entre Sabina Spielrein (Keira Knightley). Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender), um duelo mental entre 3 psicanalistas com visões diferentes sobre os humanos e suas mentes. Este duelo, quase doentio, é impressionante por causa dos 3 atores que dão ao filme de Cronenberg algo que o faz especial e o salva no seu final.

Mas David Cronenberg não fica só nos diálogos, com uma bela fotografia ele foca nos gestos dos seus personagens, principalmente quando estes estão calados, pois ali ele capta algo mais da mente de cada um deles, seja numa mesa de jantar, na entrada de um navio, no sofá após o sexo ou através de uma porta onde Sabina apanhava de Jung para chegar ao seu prazer sexual. Nestas cenas o diretor vai ainda mais fundo no duelo verbal que os 3 travam o filme inteiro, um duelo intrigante, pesado e que, infelizmente, se torna cansativo e torna o filme um pouco arrastado, prejudicando o resultado geral da obra.

Como eu disse no início é complicado recomendar o filme justamente por este ar meio acadêmico, os duelos verbais dos 3 impressiona, machuca e prendem a atenção do espectador ao mesmo tempo que cansam, mas é nestes duelos que vemos o talento de um ator que a cada filme que faz se mostra mais competente e mais talentoso, Michael Fassbender é o grande nome do filme, superando em tela seus outros 2 parceiros. É nas cenas silenciosas em que está sozinho que o ator se destaca, seu drama mental e seus dilemas são tão reais, tão verdadeiros que impressionam. Michael Fassbender está acima da média mais uma vez.

Realmente Michael Fassbender supera Viggo Mortensen e Keira Knightley, porém isso ocorre pelo simples motivo que seu personagem é o mais analisado pelas lentes do diretor David Cronenberg, mas tanto Viggo Mortensen e Keira Knightley estão em excelente e grandiosa interpretação, principalmente a bela Keira Knightley que passa sofrimento e aflição física intensa na primeira parte do filme, este sofrimento é menos físico na segunda parte do filme, mas é igualmente doloroso.

Voltando ao filme em si, Um Método Perigoso é uma boa realização de David Cronenberg, vemos excelente diálogos, profundos, fortes e que dão ao roteiro o tom pesado sobre um filme em que sabemos claramente que a paixão doentia que nasce entre médico e paciente, assim como a relação de amizade entre Freud e Jung, estão fadadas ao sofrimento, ao fim e ao vazio doentio. O filme é competente na análise do triângulo, na forma como tira dos atores a dor e o drama, mas peca ao alongar demais estes diálogos, que vão pouco a pouco cansando o público e traz ao filme uma certa escuridão, deixando aquela ideia de que com este elenco o filme poderia ter ido ainda mais longe.

Até,
André C.

Um Método Perigoso (A Dangerous Method – 2011)
Sinopse: Um jovem psicanalista, Carl Jung (Michael Fassbender), começa um tratamento inovador na histérica Sabina Spielrein (Keira Knightley) sob orientação de seu mestre, Sigmund Freud (Viggo Mortensen). Disposto a penetrar mais afundo nos mistérios da mente humana, Jung verá algumas de suas ideias se chocarem com as teorias de Freud ao mesmo tempo em que se entrega a um romance alucinante e perigoso com a bela Sabina.
Direção: David Cronenberg
Roteiro: Christopher Hampton baseado em sua peça de teatro The Talking Cure e no livro A Most Dangerous Method de John Kerr
Elenco: Keira Knightley (Sabina Spielrein), Viggo Mortensen (Sigmund Freud), Michael Fassbender (Carl Jung), Vincent Cassel (Otto Gross) e Sarah Gadon (Emma Jung)

Nota Filme: 2.5

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