O Quarto de Jack

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Primeiro, a foto acima não representa o que é o filme, pois trata-se de um filme forte, tenso e em certos momentos agoniante. Segundo, poderíamos dividir O Quarto de Jack em dois filmes, uma primeira parte que mereceria Nota: 5.0 deste humilde blogueiro e uma segunda parte onde a força, impacto e o domínio que ele consegue se perde.

Na primeira parte somos levado ao mundo de Jack, vemos o filme pela mente maravilhosa de uma criança que tem seu mundo resumido nas quatro paredes de um quarto. Esse mundo fechado, pequeno não nos sufoca porque o diretor Lenny Abrahamson, com grande inteligência, não nos passa a sensação de um espaço pequeno, pois na visão de Jack aquele quarto é seu mundo, para ele aquele espaço não é pequeno, é encantador, é seguro e é o mundo perfeito.

Jack, o surpreendente Jacob Tremblay, é alma do filme, ele é aquilo que se espera de uma criança, faz mimo, faz birra e quando se sente contrariado faz o seu show, tirando sua mãe do sério. É aí, junto com a maneira que o diretor conta a história, que o filme cresce e ganha magias, pois seria muito fácil transformar Jack em uma criança chata, problemática e cheia de frase de efeito, mas para o bem do filme, assim como não somos sufocados por quatro paredes, somos encantados pela criança que tem sonhos, que acredita que fora do quarto existe um espaço sideral, uma criança que ainda acredita na magia, uma criança com um mundo tão pequeno mais totalmente infantil com sonhos como qualquer outra. Uma criança de verdade.

Aliás, Jacob Tremblay foi o grande injustiçado do Oscar, merecia uma indicação pelo trabalho excelente que fez, ok que era uma criança de 9 anos fazendo uma criança mais nova, mas o faz com grande qualidade e traz junto o trabalho, esse sim vencedor do Oscar de Melhor Atriz, da ótima Brie Larson, que está perfeita e tem uma atuação penetrante, mas só sobressai pela sintonia com o ator mirim. Não é por menos que em todos os prêmios que levou a atriz fez questão de agradecer e enaltecer o trabalho do menino, uma parceria impressionante, uma união fortíssima.

Acho que deu para entender porque a primeira parte é tão boa, temos um diretor comandando o filme com sutileza, uma dupla vivendo mãe e filho com altos e baixos, com amor intenso e proteção fora do comum, tudo isso junto com o mistério de não saber o que aconteceu para os dois estarem unidos no quarto faz da primeira parte de O Quarto de Jack um filme realmente fora de série.

Porém a segunda parte do filme perdemos o rumo, várias histórias são mostrados e seria fácil cair no drama, porém o filme e o roteiro não desenvolvem nenhuma história, não cai no drama fácil, mas não segura mais o ritmo impactante da primeira parte. Talvez o filme se perca para mostrar como a mãe também se perde no lado de fora do quarto, mas o filme não empolga, são histórias pequenas demais jogadas ao vento como, por exemplo, a relação de Brie Larson com o seu pai (William H. Macy em participação sem explicação) e dele com Jack, quando parece que algo vai nascer, o ator sai de cena e nunca mais volta (desculpem pelo spolier).

O filme ainda se mantém, muito pela alma de Jack e pela presença talentosa de Joan Allen, mas realmente perde totalmente aquela força, aquela presença e união da dupla principal, apesar de nos levar a um belo desfecho mostrando que após anos vivendo em um quarto era a hora de Jack cuidar da mãe, mas tudo isso poderia ter sido bem melhor aproveitado, invés de soltar vários pequenos dramas, o filme ainda poderia ter focado no que tinha de melhor a relação mãe e filho.

O Quarto de Jack tem problemas, mas é um filme que vai ficar na sua memória por um bom tempo, pelas atuações e pela força de uma mãe e de um filho.

Até,
André C.

Nota Filme 4.0

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O Quarto de Jack (Room – 2015)
Sinopse:
Direção:Lenny Abrahamson
Roteiro: Emma Donoghue baseado em seu próprio livro.
País: EUA
Duração: 118 minutos
Elenco: Brie Larson (Ma), Jacob Tremblay (Jack), Sean Bridgers (Old Nick), Wendy Crewson (Talk Show Hostess ), Amanda Brugel (Officer Parker), Joe Pingue (Officer Grabowski), Joan Allen (Nancy ), William H. Macy (Robert ) e Tom McCamus (Leo).

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