Estômago – Marcos Jorge – João Miguel

Estômago – Marcos Jorge – João Miguel

estomago-Sinopse:Raimundo Nonato foi para Curitiba na esperança de ter uma vida melhor. Contratado como faxineiro em um bar, logo ele descobre que possui um talento nato para a cozinha. Com suas coxinhas Raimundo transforma o bar num sucesso. Giovanni , o dono de um conhecido restaurante italiano da região, o contrata como assistente de cozinheiro. A cozinha italiana é uma grande descoberta para Raimundo, que passa também a ter uma casa, roupas melhores, relacionamentos sociais e um amor: a prostituta Iria.

Título Original: Estômago
Gênero: Drama – Comédia
País: Brasil – Itália
Ano de Produção: 2007
Tempo de Duração: 112 minutos
Lançamento no Brasil: 11/04/2008
Lançamento no Brasil em DVD: 15/12/2008
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito, baseado em argumento de Lusa Silvestre e Marcos Jorge

Elenco: João Miguel (Raimundo Nonato), Fabiula Nascimento (Iria), Babu Santana (Bujiú), Carlo Briani (Giovanni), Zeca Cenovicz (Zulmiro), Paulo Miklos (Etecetera), Jean-Pierre Noher (Duque), Marco Zenni (Vagnão), Marcel Szymanski (Valtão) e Helder Clayton Silva (Seqüestro).
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Filmes que misturam o presente e o passado para contar como o personagem chegou naquela situação estão cheios por aí, alguns com um bom roteiro funcionam e outros não. O filme brasileiro de Marcos Jorge, Estômago, está no primeiro time, pois tudo funciona perfeitamente.

A começar pela grande atuação de João Miguel, perfeito, carismático e sensacional. A gente pega uma empatia com seu Raimundo Nonato, mesmo já tendo a idéia do que o filme nos reserva para o final, mas a gente não consegue deixar de gostar do Raimundo Nonato desde que ele aparece na tela, e tudo graças a este bom ator brasileiro João Miguel. Seu Raimundo Nonato é ingênuo, sensível, solitário e sonhador, e mesmo quando perde a cabeça e vira um cabra-macho, ainda está lá aquele olhar sensível que conhecemos logo no início do filme. João Miguel vem aos poucos mostrando ser um grande nome do nosso cinema, e ainda não vi Cinema, Aspirinas e Urubus, que dizem ser seu melhor trabalho.

Outro ponto forte é o roteiro. Que muito bem costuradinho nos leva com muita tranqüilidade pela vida de Raimundo Nonato, desde sua chega à Curitiba e até o desfecho final, que sim, é previsível, mas mesmo assim é um pouco chocante, mas mostra como aquele rapaz meio perdido, ingênuo foi mudado pela cidade grande, e obviamente, pela prisão. O roteiro vai misturando o presente e o passado, o antigo Nonato e o novo, e brinca muito bem com aquele ditado que diz que é possível conquistar alguém pelo estômago, uma vez que Nonato se dá bem na vida justamente pelo estômago dos outros, mas o filme não foi baseado em um ditado e sim no conto “Presos pelo Estômago” do livro “Pólvora, Gorgonzola e Alecrim.”, de Lusa Silvestre. O roteiro, apesar do final um chocante, é suave e gostoso de acompanhar, fazendo do filme um filme agradável.

Outro ponto que funciona bastante para os Curitibanos, assim como eu, é que o filme se passa todinho na capital dos paranaenses, sendo que apenas um trecho foi filmado em São Paulo, quando Raimundo deixa a rodoviária de Curitiba e vaga por horas, por ruas, por túneis e minhocões, no resto é tudo filmado por aqui.

A estréia de Marcos Jorge na direção não podia ter sido melhor, pois com uma direção sem querer inventar e sem querer transformar a modesta estória de Raimundo Nonato numa lição de vida, é precisa e fundamental para o filme, pois seria muito fácil querer transformar o filme numa obra cheia de moral sobre os nordestinos que tentam a sorte na cidade grande, mas não o faz, ainda bem.

Interessante ainda no filme são algumas receitas bacanas feitas, desde uma coxinha até uma farofa com formiga (estas e outras estão no site oficial).

Vale ressaltar a atuação pequena, mas muito boa do Paulo Miklos, como um prisioneiro de respeito dentro do presídio do Ahú, onde foram filmadas as cenas de presídio.

É bom ver um filme assim, principalmente um filme nacional, muito bom e gostoso de se assistir, e torcer que cada vez mais o nosso cinema possa fazer mais e ganhar mais prêmios, mais salas e mais público.

Vale a pena ver Estômago e bom apetite.

A Neide Rigo do blog Come-Se faz uma leitura diferente e muito bacana do filme, clique aqui e confira a opinião dela.

Até,
André C.

4 thoughts on “Estômago – Marcos Jorge – João Miguel

  1. […] minha decepção ficou apenas porque é bom, e não espetacular como muitos defendem. Ainda acho Estômago o melhor filme nacional do último […]

  2. eu tb amei esse filme. vou ver o blog da neide, faz tempo que não passo por lá. beijos, pedrita

    1. Oi Pedrita!
      Obrigado pela visita, relamente Estômago foi uma ótima surpresa no ano.

      Beijo,
      André C.

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