O Escafandro e a Borboleta

O Escafandro e a Borboleta

escafandro-e-a-borboleta-poster01O Escafandro e a Borboleta não é um filme fácil, aliás, é um filme altamente pesado, lento e profundo.

O filme já começa pesado e com uma fotografia propositalmente sem orientação, confusa e sem foco, ou melhor, o filme começa pesado por causa desta fotografia, pois ali o diretor Julian Schnabel (Basquiat) praticamente nos coloca dentro do corpo do personagem principal e nos leva a viver intensamente aqueles momentos na vida de Jean-Dominique Bauby.

Vivemos os primeiros minutos do filme, praticamente dentro da cabeça de Jean-Dominique Bauby, vemos as pessoas em sua volta, vemos algumas lembranças e sonhos dele e ouvimos o seu pensamento, vemos a sua tristeza crescer e a raiva que sente das pessoas e dos fatos que acontecem a sua vida. Vemos nascer nele, uma pessoa forte e destemida, a pena e o desespero. Neste período acontece uma das cenas que mais me provocaram uma certa afliação de desconforto, mas que não falarei para não cometer spolier.

Mas obviamente o filme não é apenas isso, mas muitas pessoas devem desistir do filme por aí, sem dar chance a certa reviravolta que o filme dá, pois em certo momento Jean-Dominique Bauby deixa a pena de si mesmo de lado e resgata sua garra e força de viver. Assim suas lembranças, seus sonhos e seu dia a dia passam a ser mais claros. É neste momento que vemos quem realmente é Jean-Dominique Bauby e passamos a ver a história de fora do seu corpo e a entender a sua vida de uma forma mais clara.

E desta forma o diretor Julian Schnabel conseguiu retratar bem o dilema entre a vida e a morte, pois vemos uma pessoa desejar a morte, sentir ódio de si mesma e reviver. Sem dizer que o filme ainda trabalha o lado humano de das pessoas que o cercam (principalmente a fonoaudióloga, o seu pai e mãe dos filhos dele) e de como o ser humano é capaz de buscar forças e vencer suas dificuldades.

Jean-Dominique Bauby é vivido de grande forma e maestria pelo ator Mathieu Amalric (Quando Estou Amando). Um papel complicado, forte e intrigante.

O Escafandro e a Borboleta, como eu já disse, não é um filme fácil, mas é um filme humano e que toca profundamente os sentimentos das pessoas.

Até,
André C.
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Sinopse: Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto, e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória.

Título Original: Le Scaphandre et le Papillon
Gênero: Drama
País: França/EUA
Ano de Produção: 2007
Tempo de Duração: 112 minutos
Lançamento na França: 22/05/2007 (Cannes)
Lançamento no Brasil no Cinema: 04/07/2008
Lançamento no Brasil em DVD: 19/12/2008
Direção: Julian Schnabel
Roteiro: Ronald Harwood, baseado em livro de Jean-Dominique Bauby

Prêmios: BAFTA de melhor roteiro adaptado, Cannes de Melhor Diretor, César de Melhor Ator e Melhor Edição, Globo de Ouro de Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro, Lumiere de Melhor Filme e Melhor Ator, etc.

Elenco:Mathieu Amalric (Jean-Dominique Bauby), Emmanuelle Seigner (Céline Desmoulins), Marie-Josée Croze (Henriette Durand), Anne Consigny (Claude), Patrick Chesnais (Dr. Lepage), Niels Arestrup (Roussin), Olatz Lopez Garmendia (Marie Lopez), Jean-Pierre Cassel (Lucien / Vendeur Lourdes), Marina Hands (Joséphine), Max von Sydow (Papinou) e Isaach De Bankolé (Laurent)

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