Django Livre

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Quem acompanha este blog sabe que sou fã do trabalho meio que insano do diretor e roteirista Quentin Tarantino, principalmente depois que vi Cães de Aluguel e mesmo quando o diretor não é tão espetacular como Em Á Prova da Morte, vemos aquele trabalho puramente Tarantino, mas imagine quando o diretor a certa a mão e chega perto daquele que é considerado a sua obra-orima, Bastardos Inglórios.

Fazendo uma grande homenagem ao bom e velho gênero dos Bang-Bang, Tarantino usa e abusa da belíssima fotografia de Robert Richardson (indicada ao Oscar) com belas tomadas de montanhas e de cavalgadas comuns ao gênero, abusou dos closes nos momentos mais tensos, também comuns aos faroestes spaghetti de Sergio Leone. Trouxe para a sua espetacular trilha sonora a parceria com Ennio Morricone, especialista em Western como em Por Um Punhado de Dólares e Era Uma Vez no Oeste, homenageou o Django original, Franco Nero, com uma pequena ponta, trouxe a canção original do filme de 1966 e fez o roteiro básico de muitos faroestes onde o mocinho quer apenas salvar a mulher amada sem poupar nenhuma bala, e no final deu o seu toque pessoal ao misturar muito humor negro, sarcasmo, violência, sangue, diálogos inteligentes e uma clara crítica ao racismo, fazendo de Django um filme imperdível.

Aliás, saindo do filme e falando em racismo, li em alguns sites críticas sobre o apologismo ao racismo no filme, isso é algo de quem, sinceramente, não tem o que fazer, pois como é possível fazer um filme que trata de ódio racial, escravidão e da vingança de um negro em busca da mulher amada, sem mostrar o sofrimento deles, sem mostrar brancos caçando e tratando negros como bichos, como comércio sexual ou até o racismos entre negros? Como demostrar que a raiva do personagem de Jamie Foxx vai muito além do que apenas buscar a mulher que ele ama, sem mostrar na tela tudo isso e sem usar termos racistas? É impossível!

Voltando ao filme que é o que interessa aqui, vemos Tarantino mais uma vez em ótima forma, e olha que depois de ter realizado Bastardos Inglórios as expectativas em cima deste novo trabalho estavam ainda maiores do que as que normalmente giram em torno de um novo filme do diretor, por isso vemos Django um filme intenso, alternando diálogos inteligentes, ação, violência, humor negro e trazendo o espectador para uma estória recheada de ótimos momentos, isso também é causado pelo excelente elenco muito bem dirigido por Tarantino, tirando deles uma atuação precisa para um roteiro simples, mas extremamente peculiar ao misturar faroeste, metologia germânica, vingança, racismo e romance.

Falando em elenco seria chato falar novamente da belíssima atuação de Christoph Waltz (indicado e favorito ao Oscar como ator coadjuvante), que, apesar de lembrar um pouco o Coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios, está mais leve no papel, dando ao seu caçador de recompensas um ar aristocrático e muito carismático, uma vez que a maioria das pessoas que deixam a sala do cinema demonstram uma empatia com o personagem dele, porém ele não está sozinho neste filme, todo o elenco está muito bem.

Jamie Foxx e Samuel L. Jackson estão ótimos, aliás, Jamie Foxx está perfeito como o calado e vingativo Django, assim como Samuel L. Jackson como o escravo que trabalha na casa grande, aliás, os dois, Foxx e Jackson, mereciam ter sido lembrados pela academia, principalmente Samuel L. Jackson, em uma atuação excelente que nos faz esquecer que aquele senhor é realmente Samuel L. Jackson (atuação e maquiagens perfeitas). E não tem como não falar de Leonardo DiCaprio, em mais uma ótima atuação, um pouco caricata, mas em excelente performance, em excelente contraste com Christoph Waltz.

Django é um excelente filme, um filme Tarantino na veia, que talvez não tenha aquele impacto que outros filmes do diretor tiveram e nem tenha nenhuma surpresa ou inovação, porém é um longa que mostra mais uma vez a força de Tarantino por trás das câmeras, tirando sempre do seu filme e dos seu atores um algo a mais, mostrando mais uma vez o grande diretor e roteirista que ele é, e é meu favorito ao Oscar de melhor filme em 2013 (até o momento), mas acho quase impossível a academia premiar um filme com tanta violência e sangue .

Até,
André C.

Django  (Django Unchained – 2012 )
Sinopse: Django é um escravo negro liberto que, sob a tutela de um caçador de recompensas alemão, torna-se um mercenário e parte para encontrar e libertar a sua esposa das garras de Monsieur Calvin Candie, charmoso e inescrupuloso proprietário da Candyland, casa no Mississippi onde escravas são negociadas como objetos sexuais e escravos são colocados pra lutar entre si.
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
País: EUA
Duração: 165 minutos
Elenco: Jamie Foxx (Django), Christoph Waltz (Dr. King Schultz), Leonardo DiCaprio (Calvin Candie), Kerry Washington (Broomhilda von Schaft), Samuel L. Jackson (Stephen), Walton Goggins (Billy Crash), Dennis Christopher (Leonide Moguy), Don Johnson (Big Daddy), Franco Nero (Amerigo Vessepi), James Russo (Dicky Speck), Laura Cayouette (Lara Lee Candie-Fitzwilly) e Zoë Bell (Tracker).

Nota Filme 4.5

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