Confiar

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Filmes sobre abuso sexual de jovens através da internet ainda não ganharam um grande momento no cinema, pois sempre abusam um pouco do dramalhão ou transformam o filme em um filme sobre vingança. O filme do ex-Friends David Schwimmer consegue pelo menos fugir da segunda característica, mas em muitos casos cai na primeira característica o que atrapalha um pouco a ideia principal de mostrar a família após um caso de pedofilia e abuso ao menor.

David Schwimmer tenta focar, nas primeiras cenas, na família e dá a clara amostra de que o que iremos ver depois é como uma família feliz, que possui um relacionamento confiável entre pais e filhos pode mudar com um caso de abuso com um dos filhos. É claro que o diretor não poupa nas primeiras cenas para mostrar a intimidade da família e como tudo pode acontecer em qualquer família. O filme foca na família e no seu relacionamento, esquecendo por muitas vezes o abusador e até mesmo o abusado.

E ao mesmo tempo que esta é a aposta certeira do roteiro escrito por Andy Bellin e Robert Festinger, é onde o filme peca em alguns momentos, pois o drama é inevitável. É óbvio que ao focar na família e no relacionamento deles pós trauma o filme não tem como escapar destes dramas exagerados, mas o filme cai em alguns clichês e até em alguns momentos no previsível, mas mesmo assim o filme se segura do óbvio por causa dobom elenco. Para começar temos uma grata surpresa, ao usar a Liana Liberato de apenas 15 anos na época do filme, o diretor David Schwimmer traz para seu filme contornos mais reais e fortes, pois aproxima-se mais da realidade, uma vez que não usa uma atriz de mais de 18 anos com um corpo de menina/mulher, usa uma menina de verdade, uma atriz que não decepciona nas cenas mais importantes do filme

E dentro de família, o pai é o que mais sofre por vários motivos. Outra vez Schwimmer acertou na escolha do elenco, pois Clive Owen é o grande nome do filme ao lado de Liana Liberato, já que é a relação deles que mais se abala após os acontecimentos. É o pai que sente mais, ao perceber que perdeu a filha ou que não a protegeu ou ainda que ela não era quem ele pensava, é o pai que mistura vários sentimentos é a raiva, o ódio e até a culpa, é um sentimento todo misturado que só um bom ator consegue passar, e Clive Owen o fez com maestria.

O filme é bom e até funciona como alerta, mas perde pontos ao também focar em detalhes que fogem um pouco da ideia central, como a cena do restaurante, as campanhas publicitárias, querendo demonstrar que toda a sociedade tem uma parcela de culpa ao usar mulheres com caras de meninas em propagandas sensuais, e ao fato não de nunca questionar os exageros sexuais na mídia e, no caso, na internet. Na verdade Schwimmer não quer acusar os pais de erro ou falhas quando um caso como este acontece, mas ao dar ênfase a família ele quer dar um alerta sobre o caso, que um fato como este pode acontecer com qualquer família, desde as mais estruturadas até as mais problemáticas, com adolescentes centrados, estudiosos e responsáveis até com os mais desordeiros. O filme é um alerta interessante, mas que peca nos dramas exagerados.

E se não fosse os dramas um pouco melosos, o filme de David Schwimmer se aproximaria mais da realidade e talvez tivesse um efeito maior do que um alerta e chocasse mais o público e até a mídia, porém faltou a mesma qualidade que teve na escolha do elenco na forma como acabou dirigindo o tilme, pois parece que faltouum pulso mais firme e até mais corajoso, pois no final seu alerta a pedofilia e ao abuso sexual pareceu uma boa propaganda contra o crime, mas com uma cara de que poderia ter ido mais longe.

Até,
André C.

Trust (Confiar – 201o)
Sinopse: Annie é uma jovem de 14 anos conhece um garoto em um bate-papo na internet, e logo se apaixona por ele. O problema é que, na verdade, o garoto é um homem muito mais velho, que a atrai para um encontro e se aproveita sexualmente.
Direção: David Schwimmer
Roteiro: Andy Bellin e Robert Festinger
Elenco: Clive Owen (Will), Catherine Keener (Lynn), Liana Liberato (Annie), Jason Clarke (Doug Tate), Viola Davis (Gail Friedman) e Chris Henry Coffey (Charlie / Graham Weston)

Nota Filme: 2.5

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