A Escolha de Sofia

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A Escolha de Sofia

Finalmente assisti ao filme que deu o primeiro Oscar de melhor atriz para a grande Meryl Streep, mas admito que esperava muito mais do filme, talvez por já saber qual seria a tal escolha do título o filme não tenha tido em mim o mesmo impacto que teve em quem viu o filme sem saber, mas mesmo assim posso considerar que A Escolha de Sofia ainda está na lista dos bons dramas dos anos 80.

O diretor Alan J. Pakula criou um filme intrigante na maneira como nos apresenta os personagens, todos com suas peculiaridades, suas insanidades e seus segredos, segredos que começam a vir a tona depois de que a amizade entre Sofia, Nathan e Stingo se fortalece, segredos que podem mudar o ruma da vida dos 3 e, principalmente, segredos que o diretor usa com maestria para moldar a possível escolha de Sofia.

Mas como um todo o filme tem seus altos e baixos, pois o filme começa com uma dinâmica envolvente, onde Alan J. Pakula constrói a amizade dos 3, como na belíssima cena no parque de diversões (belíssima fotografia), porém essa velocidade, esse envolvimento que vemos começa a se perder e se arrastar na medida que a amizade dos 3 já está construída e começa a ter seus problemas, principalmente nos de confiança entre os três.

Alan J. Pakula poderia ter mantido esse envolvimento e, com toda a certaza, a dinâmica e a velocidade na maneira como resolve retratar a desconfiança de Nathan na amizade entre Sofia e Stingo, na maneira como Stingo fica em dúvida com seus próprios sentimentos de amor e ódio com Nathan e de na forma como Sofia cria intimidade com Stingo, sem saber se é apenas um amigo ou algo mais, tudo isso junto poderia fazer de A Escolha de Sofia um filme mais empolgante no seu todo, mas infelizmente o filme se arrasta e até se torna cansativo com as idas e vindas do roteiro dentro desses assuntos.

Por sorte o filme tem Kevin Kline e Meryl Streep, que com atuações espetaculares não deixam o filme cair completamente e seguram o tom do filme para o final que tanto se espera para A Escolha de Sofia.

Kevin Kline,  em seu primeiro filme, dá alma, força e equilíbrio a seu Nathan, um personagem complexo que vai do mais amável amigo ao mais ciumento amante em poucos minutos, talvez seja até hoje a sua maior interpretação no cinema, talvez até melhor do que sua atuação em Um Peixe Chamado Wanda, que lhe valeu o Oscar de Ator Coadjuvante de 1989.

Meryl Streep obviamente dispensa comentários mais longos, sua atuação é impecável, pois ela fala com um sotaque incrível, se arrisca no alemão e no polonês, sem dizer que além de ter uma atuação forte durante o filme todo, segurando o filme ao lado do Kevin Kline, a cena onde sabemos da sua escolha e as horas em que ela conta seu passado para Stingo mostram porque ali nascia a maior estrela atual do cinema, atuação perfeita que lhe valeu o primeiro Oscar de Melhor Atriz.

A Escolha de Sofia está longe de ser um filme fácil, tem momentos em que fica muito cansativo e arrastado, mas com certeza quem não sabe qual foi a escolha que Sofia fez, irá se surpreender com o filme, mas de qualquer maneira é um filme que deve ser visto para ver uma atuação sensacional de Meryl Streep e a estréia primorosa de Kevin Kline no cinema.

Até,
André C.

A Escolha de Sofia(Sophie’s Choice – 1982)
Sinopse AdoroCinema.com: Em 1947 Stingo (Peter MacNicol), um jovem aspirante a escritor vindo do sul, vai morar no Brooklyn na casa de Yetta Zimmerman (Rita Karin), que alugava quartos. Lá conhece Sofia Zawistowska (Meryl Streep), sua vizinha do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin Kline), seu namorado, um carismático judeu dono de um temperamento totalmente instável. Em pouco tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a menor idéia dos segredos que Sofia esconde nem da insanidade de Nathan.
Direção: Alan J. Pakula
Roteiro: Alan J. Pakula e William Styron baseados no romance Sophie’s Choice de William Styron.
Alan J. Pakula
País: EUA e Inglaterra
Duração: 150 minutos
Prêmios: Oscar 1983 – Melhor Atriz (Meryl Streep) – Globo de Ouro 1983 – Melhor Atriz (Meryl Streep)
.Indicações: Oscar 1983 – Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Figurino – Globo de Ouro 2014 – Melhor Nova Estrela em Filme (Kevin Kline) – BAFTA 1984 – Melhor Atriz (Meryl Streep) e Melhor Estréia no Cinema (Kevin Kline)
Elenco: Meryl Streep (Sophie), Kevin Kline (Nathan), Peter MacNicol (Stingo), Rita Karin (Yetta), Stephen D. Newman (Larry) e Greta Turken (Leslie Lapidus).

Nota Filme 3.5

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