O Passado (Le Passé)

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lepasseSerá que nós realmente mandamos no nosso passado? Se não conseguimos deixá-lo de lado, ele sempre volta, sejam as coisas boas ou ruins, mas que muitas vezes nos impedem de dar um novo passo e seguir em frente, e é justamente isso que o diretor Asghar Farhadi, do espetacular A Separação, tenta nos mostrar de forma lenta e sem arriscar, de que o passado sempre nos seguirá, mas só nós podemos fazer com que ele não atrapalhe nosso futuro.

O Passado foi a grande sensação Festival de Cannes e desponta como um dos favoritos ao Oscar 2014 de filme estrangeiro, porém o filme não tem a força e o impacto que o diretor Asghar Farhadi conseguiu em A Separação, mas mesmo assim é um filme muito bem dirigido, um pouco lento é verdade, mas que tem uma belíssima e importante mensagem para qualquer pessoa.

O filme segue a vida de Bérénice Bejo que depois de 4 anos longe pede ao seu marido, vivido por Ali Mosaffa, volte a Paris para assinar o seu divórcio, já que ela se relaciona com um novo homem e com o filho dele e tem desejos de casar, é nesse momento que o diretor começa analisar o homem e sua relação com o passado.

Lentamente, o que realmente prejudica um pouco o filme, o diretor vai analisando um a um os 3 envolvidos no romance mais profundamente e superficialmente as crianças envolvidas, o diretor foca nos diálogos, numa câmera lenta e não arrisca muito ao analisar a relação de cada um com o passado, gerando até um certo suspense sobre como cada um deles chegou ali, a omissão, coisas ditas ou não ditas, tudo esta ali, mas nunca escancarado para quem está do lado de cá da telinha.

Sem contar, sem abrir muito e sem querer desvendar os medos e os traumas de cada personagem, Asghar Farhadi vai mostrando que cada um ainda está preso em algo do passado, pois algo do passado motivou a partida de Ahmad (o sereno e ótimo Ali Mosaffa) para o Irã, também é algo do passado que faz com que Marie (Bérénice Bejo em espetacular performance) traga seu ex-marido bem para perto dela, sem realmente contar os motivos do divórcio, e o mesmo ocorre quando Samir (Tahar Rahim) pega seu pequeno filho Fouad (o surpreendente Elyes Aguis) e volte para sua casa.

Todas essas ações, todas essas decisões são motivadas por um passado, não vemos o diretor querendo explicar o que passou com cada um deles, mas sim deixando claro que em um certo momento todos precisam seguir seus caminhos, mas no final ele levanta a dúvida: estão todos prontos para seguir em frente.

O filme não é forte e impactante quanto A Separação, deixa algumas coisas no ar e é, em muitos momentos, monótono e arrastado, mas é na análise deste drama familiar que o diretor mais uma vez deixa seu recado de uma forma precisa e profunda sobre os relacionamentos do homem com o que já viveu e como isso pode nos afetar para viver mais para frente. O Passado não é aquele grande filme com cenas marcantes, apesar da presença magnífica de Bérénice Bejo e das cenas comoventes do pequeno Elyes Aguis, talvez ao final do filme você nem se empolgue com o que acabou de ver (isso ocorreu comigo), mas quando você para para pensar você percebe que O Passado é um daqueles filmes para pensar e repensar e seguir em frente.

Até,
André C.

Le Passé (Le Passé – 2013)
Sinopse: Um iraniano deixa sua esposa francesa e suas filhas do primeiro casamento para voltar à terra natal, mas, quando retorna à França para completar o divórcio, percebe que sua esposa seguiu em frente, mas será que o passado os deixa seguir em frente.
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi e Massoumeh Lahidji
País: França/Itália
Duração: 130 minutos
Prêmios: Cannes 2013 – Melhor Atriz (Bérénice Bejo), Júri Ecunêmico Melhor Filme e Nomeado para Palma de Ouro.
Elenco: Bérénice Bejo (Marie Brisson), Tahar Rahim (Samir),Ali Mosaffa (Ahmad),Pauline Burlet (Lucie), Elyes Aguis (Fouad), Jeanne Jestin (Léa), Sabrina Ouazani (Naïma) e Babak Karimi (Shahryar).

Nota Filme 4.0

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