Abraços Partidos

Abraços Partidos

Posso ser mal interpretado ao escrever que este é um dos filmes mais comuns da grandiosa carreira de Pedro Almodóvar.

Aqui, neste novo longa, o genial e quase sempre controverso diretor espanhol faz um filme em que alguns momentos é uma declaração de amor ao cinema e a sua musa Penélope Cruz. Diferente de outros filmes o cineasta não quer causar impacto, mas passear por estilos e mostrar o que o cinema representa para ele.

Não que o personagem principal, o diretor e roteirista Mateo Blanco/Harry Caine, seja um alterego do diretor, apesar de que o filme dentro do filme lembra produções de Almodóvar, mas porque é através do que enxerga e não enxerga personagem principal que Almodóvar vai desfilando um bom filme sobre o amor do personagem ao cinema.

Quando ele diz, logo no início, que o diretor Mateo Blanco morreu, é uma maneira de Almodóvar dizer que o cinema é tudo para ele, a arte de dirigir, de dominar suas atrizes, de ser diretor é tudo no cinema, por mais que ele escreva, ficar sem poder dirigir seria como morrer.

Outras características que sabemos de Pedro Almodóvar é que ele sempre exige e consegue atuações exuberantes de suas atrizes, aqui, além de tirar mais uma exuberante atuação de Penélope Cruz, ele mostra esta relação de amor entre o diretor e a atriz que (no filme passa do lado da tela para a vida real), porém a cena onde Penélope Cruz faz caras e bocas (a la Audrey Hepburn) em frente a um espelho é mais uma amostra de como as atrizes são importante na vida dele.

Deixando de lado estas características sobre o amor ao cinema (existem outras), Almodóvar constrói um filme fácil, que peca com alguns momentos que nada de importante nos trazem a história, mas um filme bom e simples, aliás, simples demais para o poder do diretor.

E mais uma vez Penélope Cruz está exuberante, linda e nos presenteia com uma atuação belíssima.

Até,
André C.


Abraços Partidos (Los Abrazos Roto – 2009)
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Rubén Ochandiano e Tamar Novas

Nota Filme: 3.5

One thought on “Abraços Partidos

  1. A alegação de ser um filme mais “comum” do cineasta, centrado no seu amor ao cinema, até ajuda a instigar a vontade de ver.

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