Valente

Valente

Faz algum tempo que desenhos não são mais só para crianças, principalmente quando o nome da Pixar está por trás, e mesmo com as influências da Disney a empresa ainda vem conseguindo manter esta tradição de levar adultos e crianças para a sala, por isso quando temos um grande lançamento da empresa as salas dubladas e legendadas dividem quase que democraticamente os horários do cinema.

Porém, em minha opinião, Valente fica bem no meio do muro, pois não me parece um conto de fadas tão mágico e impressionante para as crianças e nem traz durante seus 100 minutos alguma moral ou alguma estória tão magnífica que posso atingir em cheios os adultos da sala. Não que isto faça de Valente um filme ruim, mas ao final da sessão a sensação é que quanta tanta qualidade técnica era possível fazer algo ainda maior sobre a pequena princesa Merida (Kelly Macdonald/Luisa Palomanes).

Valente começa em um ritmo muito bom, quando somos apresentados a família de Merida. Com gráficos cada vez mais impressionantes (destaque para o vasto cabelo ruivo de Merida) o filme empolga e diverte a todos, principalmente nas cenas em família que dão todo o ar cômico da produção, tanto o Rei Fergus (Billy Connolly/Luiz Carlos Persy) quanto os pequenos e levados irmãos de Merida são os destaques positivos. Com certeza são eles que dão a produção da Pixar um ar muito bacana de comédia, é impossível não se divertir com os pequenos herdeiros.

Este ritmo continuo até os jogos pela mão de Merida, mas é um pouco depois disso que o filme perde seu ritmo, pois o momento mágico da mudança de rumo de todo o roteiro não é assim algo tão espetacular, tão mágico que mexa com o imaginários das crianças, faltou a produção do roteiro uma virada que pegasse as crianças com a magia do conto de fadas e trouxesse os adultos para dentro daquele mundo do faz de conta, mas isso, infelizmente não acontece e o filme parece se arrastar para seu grande desfecho.

Aliás, o desfecho traz aquilo que se espera da Pixar e da Disney, uma lição de moral sobre a relação mãe e filha, e sobre quando estamos realmente prontos para tomar nossas decisões, uma moral interessante para os pequenos, e que pode ser usada como exemplo pelas mães e pais presentes na sala.

Valente é mais uma bela produção da Pixar, talvez não tenha aquele ar especial das outras produções, mas é um filme que agrada de maneira geral, principalmente até a mudança do rumo do roteiro e por trazer para a tela gráficos ainda mais impressionantes. Valente é um filme simples e que o atrapalha é que atualmente esperamos sempre um pouco mais dos desenhos, mas a culpada é a própria Pixar que nos acostumou mal.

Até,
André C.

Valente (Brave – 2012)
Sinopse: A jovem princesa Merida foi criada pela mãe para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha, seguindo a etiqueta e os costumes do reino. Mas a garota dos cabelos rebeldes não tem a menor vocação para esta vida traçada, preferindo cavalgar pelas planícies selvagens da Escócia e praticar o seu esporte favorito, o tiro ao arco. Quando uma competição é organizada contra a sua vontade, para escolher seu futuro marido, Merida decide desafiar a tradição.
Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell
Roteiro: Brenda Chapman, Mark Andrews, Steve Purcell e Irene Mecchi baseados em estória de Brenda Chapman
Elenco (Voz): Kelly Macdonald (Merida), Billy Connolly (Fergus), Emma Thompson(Elinor) e Julie Walters (The Witch) – Elenco Brasil: Luisa Palomanes (Princesa Merida), Luiz Carlos Persy (Rei Fergus), Mabel Cézar (Rainha Elinor) e Carmem Sheila (Bruxa).

Nota Filme: 3.0

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